Um resumo de Artur Xexéo - Telefones Arte  (Artigos) escrito em quarta 10 outubro 2007 00:03

arte engajada, contemporaneo, dali, desconstrucao, modernismo, pop, surrealismo

Em artigo publicado na Revista encarte do jornal O Globo de 17 de junho de 2007, Artur Xexéo nos fala dos "telefones arte". Sutil e interessante é a matéria intitulada "Alô, alô: responde"aqui transcrita em suas partes mais significativas

 "Foi notícia na semana passada. A artista Britânica Katie Peterson conectou um telefone a um microfone submerso instalado em Vatnajokull, a maior geleira da Europa. (...) ocupa mais ou menos 8% do território da Islândia, mas passa por um acelerado processo de degelo. Numa galeria em Londres, o público é instado a telefonar para a geleira e ouvir os sons emitidos por ela. Enquanto ela existe.

(...) acreditei que ninguém encontraria uma forma mais exótica de tratar o telefone como arte do que Salvador Dalí. (...) o telefone-lagosta do pintor catalão era o máximo a que se poderia chegar. (...) Dalí fez... hummm... uma escultura? Bem, talvez hoje fosse chamada de intervenção. Enfim, era um telefone preto, como eram todos os telefones em 1936, ano da criação original de Dalí. (...)  Só que, na obra de Dalí, o auscultador era encapado por uma lagosta de plástico. (...) . Não dá para comparar o telefone de Katie Peterson com o de Dalí. O da inglesa é arte engajada; o de Dalí, (...) costumava justificar sua criação dizendo que não entendia por que, ao pedir uma lagosta num restaurante, ela nunca vinha servida com um telefone.

O telefone como obra de arte atingiu outro patamar, no Japão como parte do acervo do Museu John Lennon, em Saitama. Alí (...) o visitante, inebriado pela trilha sonora do ambiente, encontra, (...) sobre uma mesinha redonda, um telefone branco. Ao lado da mesa, fica uma poltrona. Não há o menor sinal à vista de que aquele telefone tenha alguma coisa a ver com a vida de John Lennon. (...) É preciso sentar-se na poltrona para, então, ler uma explicação sobre a mesa. Se o telefone tocar, atenda-o. É Yoko Ono que liga de vez em quando para conversar com os fãs de seu marido.

Apesar de toda boa intenção de Katie Peterson e seu telefone engajado na denúncia contra o aquecimento global, apesar da genealidade (ou picaretagem?) de Dalí e seu telefone-lagosta, meu telefone-arte preferido é o de John Lennon. Cheguei mesmo a ficar sentado, (...), na expectativa de o telefone tocar. Nunca iria me perdoar se visse outro visitante (...) trocando algumas palavras com Yoko. Fiquei 40 minutos na poltrona. Yoko não ligou.

 

........

Ainda sobre Salvador Dalí, extraído do artigo

 
 
Terça, 11 de maio de 2004, 13h20 
Aos 100 anos, Salvador Dalí permanece irreverente
do site Terra Arte (http://diversao.terra.com.br/interna/0,,OI306567-EI1540,00.html

"Salvador também flertou com a cultura pop. "O chocolate Lanvin me deixa louco", dizia no comercial de tevê da guloseima francesa, veiculado em 1969, com os olhos arregalados e o excêntrico bigode levantado. Desconstruiu objetos e fez o famoso sofá vermelho no formato dos lábios de Mae West, e o telefone-lagosta que influenciariam o ícone Andy Warhol. Criou bolsas, carteiras e pastas de couro para regalar os amigos, dentre os quais o duque e a duquesa de Windsor. Os acessórios, que produziu em edições limitadas na década de 60, foram atualizados no ano passado e serão relançados no mercado de luxo de vários países. No Brasil, os mimos de Dalí devem chegar ao preço médio de R$5,9 mil".

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Um resumo de Artur Xexéo - Telefones Arte

  • mailtolathea

    Qui 10 Abr 2008 21:25

    nao tem nada haver com esse artigo, mais foi a unica maneira que encontrei de enviar esse artigo.
    Navegando com Xexéu

    Cá estou, tentando entender o que aconteceu com o mundo? Outro dia li um artigo do Xexéu que falava sobre ele e seu cão labrador. Parodiando um certo jornalista, que não lembro o nome. O cara ficará milionário, escreveu um livro cujo titulo se referia a ele e seu cão, Marley e Eu, esse é o livro. Começou a vender mais que pinga no nordeste. Pensei, o mundo esta se acabando, quem pode nesse momento terrível ler um livro sobre um cara e seu cão, coisa de americano! Tanta coisa pra resolver no mundo. Refletindo, distraído vendo televisão. Foi aí, que em um programa desses, estilo Animal Planet: um casal de retardados, ia levar seus cães para casarem em uma igreja destinada só para cães, com direito a lua de mel e tudo? Os cães vestidos a caráter, o noivo de esmokem e a noiva de véu e grinalda. Comecei a prestar a atenção naquele absurdo, logo depois, uma americana com voz chata, faz a relação de pessoas e os Pet Shoppings, com Expar para bichos, hidroterapia, psicólogos, dentistas, plano de saúde milionário. A apresentadora, fazia a relação dos serviços e dizia de boca cheia, quantos milhões de dólares os americanos gastam com seus animaizinhos de estimação, ainda vi, as pessoas na rua sendo entrevistadas, e diziam que gostavam mais de seus cães do que de gente. Até aí tudo bem, eu também gosto mais de bicho do que de gente, mas fabricar uma cultura e uma industria contra gente, aí já é demais! Quase cai do sofá, no mesmo programa, uma cobertura completa sobre uma tal milionário nova-iorquina, que tinha deixado doze milhões de dólares para seu puldou. Eu também adoro puldos, mas deixar herança milionária para cães, to fora!
    Em que mundo estamos, tentei analisar friamente a questão, fazer o que? Somos á própria decadência, o fim do mundo somos nós. Regredimos tanto que estamos em extinção. Veio-me logo, aquela serie Planeta dos Macacos ou dos cães. O problema, me parece que a cultura americana decaiu tanto com a administração Bush, ele transformou o povo em meros retardados ressentidos, que por um estado de regressão dos mais graves, na escala da evolução assemelham-se à espécie dos cães. Porque, eles agem igual ao Bush, e isso os transforma em bichos, no pior sentido da biologia, querem ser cães. Sem preconceito, os cães são ótimos, mas são cães! O individualismo burguês norte-americano desconhece a amizade, lealdade, confiança, então, quem vai representar esses valores perdidos? são os cães!
    Pensando nas minhas possibilidades como ser humano, ou seja, gente, só me resta tornar-me puldou, talvez eu tenha mais sorte. Ficou impossível entender esse mundo em um ponto de vista mais serio, parece incrível tanta pobreza, abandono, e as pessoas cada vez mais, apegadas a seus mundinhos, com seus cãezinhos passeando no calçadão, dando uma imagem de glamour e civilidade, enquanto os menores passeiam pela cidade cheirando cola, dormindo nas marquises. Absurdo de quem vive, é esse, ser gente já hera, o negocio agora são os seres mutantes, aberrações, deformidades, uma nova ética apostando na genética.

    Ass: lathea
    Se gostar entre em contato, latheabuk@hotmail.com


  • mailto edmar dos santos costa

    Sáb 22 Mar 2008 14:04

    Os avanços atuais nos levam á loucura na arte de projetar cada objeto criado. No caso do telefone na geleira diminuiria á distãncia entre o homem que vive lá e os outros que moram distante.

  • Jorge/portoeu

    Qui 11 Out 2007 02:15

    Está no Porto uma exposição de Dali. Espero em breve dar notícias dela.

  • mailtoaldo

    Ter 03 Jul 2007 15:05

    O homem e o poder


    Desde os primórdios o homem teve necessidade de mostrar que era mais poderoso do que o outro.
    Desde Adão que andava nu mostrando seus “balangandãs” pelo paraíso. Mesmo assim, a serpente cortou o barato dele e antes que ele a matasse de vergonha com o tamanho de seu documento, ela armou a famosa arapuca e ele acabou escondendo o “pau”.
    Por isso até hoje dizemos que para comprovar veracidade em histórias você é obrigado a matar a cobra e mostrar o pau.
    Mas voltando ao assunto da necessidade de mostrar poder...
    Após vestido e sem os documentos para mostrar seu poder dentre sua tribo, o homem tratou de se apossar de pedaços de madeira e os usava para abater suas vítimas. Tais como : Mamíferos, predadores , mulheres e afins.
    Com a evolução, quem possuía algo poderoso e perigoso agarrado à cintura era sinônimo de mais nobre e forte. Ocupando assim um espaço na casta da sociedade pré-histórica.
    O que mudou ?
    Com a chegada da tal evolução (?) O homem aprimorou sua madeira formando flechas e lanças afiadas e a descoberta da fundição dos metais com o calor logo nos remete à história da espada e suas conquistas.
    Com a descoberta da fundição do metal na Inglaterra os trabalhadores da classe se deslocavam para o norte onde haviam mais empregos e logo formaram de sua profissão a mais conhecida família britânica até hoje, “The Smiths”. Os ferreiros. Com toda a guerra e preparação para a conquista do norte a arte da fundição do metal em espada também se sofisticou , assim cada cavalheiro tinha sua própria espada preparada para seu punho e posição dentro do exército de ataque do Rei. Mais uma vez , o que o homem usava na cintura virou sinônimo de posição na defesa de seu reino, feudo, esposa, castelo ou até mesmo status de ser alguém mais importante em uma sociedade onde o poder dominava, aterrorizava, destruía e matava ...
    Oque mudou ?
    Com a invenção da pólvora , uniu-se o útil ao desagradável. O homem continuou matando e conquistando. Dentro dessa nova sociedade o homem valia pela sua arma de fogo na cintura. Com ela ele poderia ameaçar, matar, pseudo-colonizar e intimidar . Quase sempre, sem razão . Matar era uma mostra do que seu modelo de status poderia fazer .
    A conquista de todo Oeste americano somente foi possível pois o homem possuía menos coragem do que os índios. Porém mais armas de fogo na cintura e ganância.
    Vide o caso de nossos índios nas Américas (do norte, central, e latina )
    O que o homem do “Far west” ( oeste distante ) usava livremente na cintura sinalizava que ele fazia parte de uma casta social diferente, abastarda e de privilégios.
    O que mudou até hoje ?
    Nada se inventa . Tudo se copia.
    Lógico que com essa nova invenção ele não pode matar . Só de vergonha e constrangimento quem está a sua volta.
    Nada tão moderno com utilidade tão anciã do que um celular. Não é ?
    Mesmo milênios depois do brucutu das cavernas o homem ainda precisa mostrar em sua cintura que possui algo que o mantém diferente. Mais capaz no poder de compra,barganha,venda. Ou mesmo, prova de sua vã ostentação.
    Se não fosse por essa razão. Porque fabricamos celulares de cores diferentes? Se a única e exclusiva função mor seria comunicação e não ostentação ou combinação de tons aos trajes. Concordo com a funcionalidade que acoplam. Tal como vídeo, fotos e afins. Porém, todos sabem que os celulares cabem perfeitamente dentro do bolso da maioria das calças, mochilas, maletas e até escondido dentro da cueca.
    O que mudou?
    No mesmo lugar onde homens arcaicos e em evolução usavam suas armas e medalhas. O homem moderno e tão evoluído usa seu celular.
    Na cintura
    No pescoço
    Na mão o tempo todo.
    E só mesmo Deus sabe aonde mais...

    Aldo Pires


  • mailto Jorge/Portoeu

    Ter 03 Jul 2007 01:27

    3 originais formas de apresentar o telefone. Mas temos de convir que o de Katie tem uma finalidade bem diferente.
    Os dois artistas deixaram-nos obras que podemos apreciar.
    A Geleira, vamos ficar à espera do fim de braços cruzados e depois nada teremos para ver nem ouvir...

  • Paulo de Tarso

    Seg 02 Jul 2007 02:53

    ... já o meu voto vai pra Katie Emerson, acho muito mais instigante, essa geleira (ou será um iceberg) deve gemer tal qual um baleia moribunda, e nós arpoadores, a quem vamos vender?