As cartas de Van Gogh, em sua maioria, foram dirigidas a seu irmão Théo que com o passar do tempo se transformou em protetor de Vincent, incluindo amparo financeiro.
Nessa vasta correspondência (ver Cartas a Théo publicado pela editora L&PM Pocket - http://yedaarouche.arteblog.com.br/848/Cartas-a-Theo/) Van Gogh descreve suas obras e a formulação do seu pensamento estético, além do registro consciente da evolução de sua própria doença. Inicialmente, a pintura de Van Gogh foi marcada por sua vocação missionária, preocupada com a triste condição dos operários e da vida do campo e ainda está ligada a uma tradição naturalista e social.
Mas, Van Gogh vai desenvolver uma intensidade de expressão e uma força de simplificação que elimina qualquer característica acadêmica e preocupações naturalistas. Sua obra vai prenunciar inovações plásticas e testemunha o caminho de uma das mais fortes personalidades artísticas.
Depois que ele conhece os impressionistas sua paleta torna-se clara e límpida: “... não sabia nem mesmo o que eram os impressionistas; agora que os vi e mesmo não fazendo ainda parte de seu círculo, admirei muito alguns de seus trabalhos.”
“Executei também uma dúzia de paisagens decididamente verdes ou decididamente azuis.”
“... tive a ocasião de aprofundar a questão da cor. No ano passado quase que só pintei flores, para habituar-me a usar o rosa, o verde, claro ou forte, o azul, o violeta, o amarelo, o laranja, um belo vermelho. Este verão; enquanto pintava paisagens em Asnières, vi mais cores que antes”.
Foi um pintor do natural, fascinado ela cor e que trabalhava em pleno sol. “...O crepúsculo, cor de laranja-pálido, faz com que a terra pareça azul. Há dias em que o sol apresenta um amarelo esplendoroso”.
Van Gogh vai, também, apreciar a pintura japonesa e, pelo seu estudo, confirmar suas observações diretas diante da natureza.
“...E parece-me que quando se estuda a arte japonesa fica-se muito mais alegre e feliz; ela nos obriga a voltar à natureza não obstante a nossa educação e o nosso trabalho em um mundo de convenções.”
Vicente foi um estudioso, um pesquisador, um questionador. “O que diz Pissarro é verdade: seria necessário levar ao extremo os efeitos produzidos pelas cores mediante suas harmonias ou desarmonias. É como no desenho - a cor exata e o desenho não são as metas essenciais a serem atingidas, pois, se fosse possível fixar em cor e forma o reflexo da realidade em um espelho, isto nunca seria um quadro, pois não passaria de uma fotografia.”




Comentários